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10 Setembro 2018

Primeiros pontos para o CAN

Vitória magra, mas muito importante. Assim se pode qualificar a conquista, pelos Palancas Negras, dos primeiros três pontos no Grupo I de apuramento para o CAN dos Camarões, ontem diante dos Zebras do Botswana, no Estádio Nacional 11 de Novembro, com golo solitário de Gelson Dala.

Do jogo, as notas de maior de realce foram registadas nos 45 minutos iniciais, com destaque para a pressão ofensiva da Selecção Nacional, que dispensou o período de adaptação à proposta de jogo do adversário e assumiu o comando dos acontecimentos. 
Mas o melhor do desafio estava na bancada. O público que atendeu ao chamamento da Pátria e quase lotou o estádio. Por instantes, num recuo no tempo, vieram memórias da festa do futebol continental organizada por Angola, em 2010. Guardou-se um minuto de silêncio, em memória das vítimas do acidente ferroviário ocorrido na província do Namibe.
Há apenas a lamentar o facto de, no final, verem-se longas filas de adeptos a caminhar a pé, de regresso a casa. As empresas de transportes públicos e até mesmo os táxis colectivos devem criar, de forma excepcional, uma linha amarela, para acudir à demanda, pois não faz sentido ter o estádio vazio por causa da localização.
De volta ao desafio, importa dizer que a equipa lançada pelo sérvio SrdjanVasiljevic mostrou vontade de ganhar, com bom futebol, uma forma de fazer as pazes  com os adeptos, desavindos  por força da quebra competitiva, resumida nos maus resultados desportivos e exibições sem consistência. 
Recheados de flanqueadores ou jogadores propensos a aceleração pelos corredores laterais, caso de Djalma Campos, Mateus Galiano e Freddy, apoiado pelos laterais Paizo e Mira, os Palancas Negras cedo prometeram uma tarde de futebol de prato cheio. Tudo apontava para uma fartura de golos.
Só que da pretensão à prática houve um grande hiato. Tudo começou na demora do surgimento do primeiro golo, no caso filho unigénito, porque a baliza à guarda de Kabelo Dambe, visada várias vezes, não voltou a ser violada, daí a magreza do resultado, quando as campanhas de qualificação acabam decididas, além dos pontos somados, pela força ofensiva das equipas.

Problemas antigos
Voltou a estar claro que o problema da Selecção Nacional está longe de residir na falta de avançados com engodo para a baliza, diagnóstico que deu lugar ao alvitre da possibilidade de naturalização de jogadores. Ontem a pecha voltou a residir no meio campo, a casa das máquinas, por não produzir o suficiente na alimentação do ataque.
Show e Herenilson, colocados em cunha na zona de construção de jogo, foram eficazes a travar os ataques dos Zebras, acerto pouco notado nas despesas ofensivas. Djalma e Freddy saíram muito do corredor central, quando Mateus andou longe do registo de avançado lutador, que o distinguem no futebol português. 
Em resumo, falta capacidade de condução da bola na equipa nacional, pois as situações de golo surgem recorrentemente de acções individuais dos mais dotados. Na defesa, Bastos e Dani Masunguna recuperaram uma dupla que muito prometeu, há sete anos.
O Botswana foi um opositor que procurou jogar para o ponto. Onkabetse Mangastaz assinou o lance de maior perigo, ao mandar a bola ao travessão da baliza de Lando. A vitória peca apenas por escassa.
Angola, 3 pontos, partilha o segundo lugar do grupo com o Burkina Faso, atrás da surpreendente Mauritânia, líder isolada, 6, e próximo adversário da Selecção Nacional, no dia 12 de Outubro, em Luanda. O Botswana está na cauda, sem pontuar.

Força do colectivo permite 
somar os primeiros pontos

Empurrados por mais de 20 mil espectadores, em tarde friorenta ainda com resquícios de cacimbo, os Palancas Negras fizeram da força do colectivo factor bastante para no Estádio Nacional 11 de Novembro, vergar as Zebras, designação da selecção do Botswana. Gelson Dala, a coqueluche angolana foi a estrela cintilante da equipa angolana.
Landu–Teve uma tarde tranquila, à semelhança do demonstrado entre os postes. Deu tranquilidade aos colegas.
Paizo–Lateral direito, cumpriu ao fechar os caminhos da baliza. No ataque, não comprometeu mas esteve aquém das exigências por ter apoiado pouco nas acções ofensivas, assim como fez poucos cruzamentos pelos corredores laterais.
Dani Masunguna– Formou com Bastos uma parelha quase intransponível formando no centro do terreno uma muralha. Soube comandar os colegas em campo. Fisicamente bem dotado, o defesa central soube quando necessário, impor a estampa física para se impor.
Bastos Quissanga - É definitivamente outro jogador o central da Lázio de Itália. Assume-se como o patrão do sector. Apoiou nas acções, nas dobras aos colegas. Fez-se notar mais pelos acertos na abordagem dos lances. Possante, ganho todas as bolas lançadas pelo ar.
Mira-Contou com a cobertura dos colegas, sempre que se envolveu nas acções ofensivas, nomeadamente nas combinações com Djalma. Com robustez física o quanto bastou manteve sempre o foco até ao final, embora nalguns períodos tivesse deixado escapar os adversários.
Freddy-Preencheu o meio-campo. É uma certeza na organização do jogo dos Palancas. Jogador pendular nas tarefas defensivas e no balanço ofensivo. Saiu desgastado fisicamente, dando lugar a Vá, aos 83 minutos.
Show–Deu mais um passo no seu processo de crescimento e maturação. Talvez por força da ainda pouca experiência foi algumas vezes deslocado da posição, ao tentar acompanhar as combinações dos médios adversários. 
Herenilson-Atarefou a defesa do Botswana. Foi empenhado no envolvimento ofensivo e defensivo, e fez de tampão nalguns momentos libertando Show para pisar terrenos mais adiantados.
Djalma Campos-Pelos seus pés passaram as propostas de elaboração das investidas no ataque. Enquanto esteve em campo, até ser substituído aos 79 por Mário, a estrela que começa a emergir, esteve imperial. Foi dele o pontapé acrobático que ia dando o primeiro golo, aos 22 minutos. 
Mateus Galiano - Levou tempo a entrar no jogo. Esteve bastante apático no regresso à selecção. Ainda assim espevitou um pouco o ataque. 
Gelson Dala-Foi a unidade mais produtiva e em evidência na equipa. É um verdadeiro desassossego para os adversários. Jogou e fez jogar a equipa. Foi o herói ao marcar o golo da magra vitória. É definitivamente o melhor futebolista angolano da actualidade.
Job, Mário e Vá pouco acrescentaram ao encontro.

 Fonte: Jornal de Angola

Classificação

Pos Clube Pts
1 Progresso de Sambizanga Progresso de Sambizanga 4
2 Saurimo FC Saurimo FC 4
3 Petro de Luanda Petro de Luanda 4
4 1º de Agosto 1º de Agosto 4
5 Kabuscorp Palanca Kabuscorp Palanca 4
6 Sagrada Esperança Sagrada Esperança 4
7 Recreativo da Caála Recreativo da Caála 3
8 Académica do Lobito Académica do Lobito 3
9 FC Bravos do Maquis FC Bravos do Maquis 1
10 Desportivo da Huíla Desportivo da Huíla 1
11 ASA ASA 1
12 Interclube de Luanda Interclube de Luanda 1
13 Recreativo do Libolo Recreativo do Libolo 1
14 Kuando Kubango FC Kuando Kubango FC 1
15 Santa Rita de Cássia FC Santa Rita de Cássia FC 0
16 Sporting de Cabinda Sporting de Cabinda 0
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